Requinte Vocal
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Requinte Vocal
Oelze e Schneider propõem um recital centrado na língua alemã.

Serviço de Música / 09.Fevereiro.2005 / Semibreves

O recital proposto por Christiane Oelze (soprano) e Eric Schneider (pianista) reúne uma diversidade de compositores, mas no essencial concentra-se em canções em língua alemã. Apresenta como núcleo central precisamente o romantismo germânico, muito em particular Robert Schumann, e algumas das suas ramificações.

Christiane Oelze é hoje uma das mais reputadas cantoras de origem alemã, centrando parte importante da sua actividade na ópera, destacando-se em alguns dos mais relevantes papéis mozartianos, sendo por isso mesmo uma presença regular no Festival de Salzburgo. Cantou Konstanze (Rapto do Serralho), no Festival de Salzburgo e Zurique, Pamina (Flauta Mágica), em diferentes produções dirigidas por Yehudi Menuhin, John Eliot Gardiner e Kent Nagano, e também Susanna (As Bodas de Fígaro), Zerlina (Don Giovanni) e Sifare (Mitridate re di Ponto). Entre outros papéis operáticos em que se destacou, refiram-se Zdenka (Arabella) e Sophie (O Cavaleiro da Rosa), Ännchen (Der Freischütz), Anne Trulove (The Rake´s Progress) ou Mélisande (Pélleas et Mélisande).

O seu repertório tem vindo a alargar-se gradualmente com extraordinária perspicácia e sentido musical, contando também já com contribuições relevantes no domínio da música antiga muito em particular em gravações da Oratória de Natal, as Paixões e diversas cantatas de J. S. Bach para a Deutsche Grammophon External Link. Foi também a cantora escolhida por Pierre Boulez para a gravação de Lieder e cantatas de Anton Webern, na integral consagrada a este compositor no catálogo da DG. Christiane Oelze pertence a uma geração de cantores cuja versatilidade assenta numa preparação técnico-estilística de primeira linha e um sentido de rigor musical extremos. A voz é clara, fresca, límpida, a expressão intensa embora contida, a elegância estilística irrepreensível.

Em recital, Christiane Oelze colabora regularmente com o pianista Eric Schneider, com o qual gravou já aliás um programa de Lieder, centrado em composições sobre poemas de Goethe. Oelze é uma das mais interessantes cantoras da actualidade, cuja inteligência se reflecte na segurança com que tem gerido a sua carreira, melhor, a sua voz, e que no recital do Grande Auditório oferecerá uma visão de alguma da melhor produção no domínio da canção em alemão. Para além do investimento em Schumann, importa um reparo adicional para Hanns Eisler (1868-1962), um compositor que merece as melhores atenções, e que, para já com a cumplicidade da dupla Oelze/Schneider, importa reabilitar.

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