Nove anos depois de um Concerto da Europa nos Jerónimos, a Filarmónica de Berlim regressa a Lisboa, tocando no Grande Auditório Gulbenkian a 23 de novembro, dirigida por Simon Rattle, o seu carismático e popular maestro. Sem dúvida, um dos zénites da temporada 2012-13 da Gulbenkian.De resto, estamos perante uma temporada riquíssima sob todos os pontos de vista, e que será marcada pela comemoração do meio século de vida da Orquestra Gulbenkian, formação à qual Teresa Patrício Gouveia, administradora da Gulbenkian, chamou de "grande ativo da Fundação" e Risto Nieminen, diretor do Serviço de Música, considerou "um dos tesouros mais acarinhados da cultura portuguesa". Para lá dos concertos (incluindo um "festival" / dia de portas abertas a 15 de Setembro), o cinquentenário será objeto de uma mostra fotográfica, um documentário e uma encomenda a Gonçalo M. Tavares (short stories a incluir nos programas de sala).No total, estamos a falar de quase 130 datas/ eventos divididos por nove ciclos, incluindo 12 transmissões de ópera do Metropolitan de Nova Iorque (de outubro a abril), a que se há de somar o festival Jazz em Agosto, que decorre de 3 a 12.Há contudo vários sub-ciclos sucedendo-se no decorrer da temporada: Festival Jovens Músicos (dez eventos de 27 a 29 de setembro); integral dos quartetos de cordas (outubro-janeiro-abril) e das sonatas para piano (janeiro-abril-maio) de Schubert; multidisciplinar Festival Debussy+ (fevereiro); integral das sinfonias de Brahms (novembro-fevereiro-abril) e dos concertos para piano de Beethoven, com R. Buchbinder (março); mini-ciclo da Orq. Juvenil Gustav Mahler (março); e ciclo 'Shakespeare na música' (maio-junho).Entre as obras que terão estreia absoluta na próxima temporada, destaque para o Requiem encomendado a António Pinho Vargas (21 e 22 novembro, sendo que a seguir ao concerto de dia 21, o compositor dará um recital de piano).Várias são também as primeiras audições modernas (recuperação de obras caídas no esquecimento): uma delas será a do Te Deum, de António Leal Moreira (1758-1819), a executar no concerto de São Silvestre, na Igreja de São Roque, com transmissão direta na RTP .Outro aspeto curioso é o das óperas que vão ocorrendo distribuídas por vários ciclos e que, no final, dão corpo a uma temporada lírica muito jeitosa: Dido and Aeneas (Purcell, pelos Músicos do Tejo), L'Orfeo (Monteverdi, pelos Divino Sospiro), A Flauta Mágica (Mozart, por René Jacobs), Otello e Falstaff (Veidi, no ciclo Shakespeare), ÉmíIíe (Kaija Saariaho), a que se somam Le martyre de Saint Sébastien (Debussy), uma revisão de L 'Africaine (Meyerbeer, pelo Cão Solteiro e Vasco Araújo) e um concerto por Joyce DiDonato.Em conversa com Nieminen, é-nos dito que esta Temporada se faz com menos 5% de orçamento (face a 2011-12) e que, em relação à que agora finda, se contabiliza um total vizinho dos 100 mil espectadores, correspondendo a uma taxa de ocupação de 80%.E a apresentação terminou com o (ministro) cabo-verdiano Mário Lúcio cantando dois temas de Kreol, que apresentará a 10 de outubro, no Grande Auditório.DESTAQUESPIANOLuxo é o que pode dizer-se a propósito do rol de pianistas em cartaz. Nieminen referiu 23 nomes, entre recitais solo e concertos com orquestra!Reincidem nomes como Evgeny Kissin, Grigory Sokolov ou Arcadi Volodos; nos "regressos", constam András Schiff, Murray Perahia, Nikolai Lugansky ou Mitsuko Uchida; estreiam-se Javier Perianes, Evgeni Bozhanov, Paul Lewis e Yefim Bronfman.MARIA MATOSTeatro/Música é um dos mais recentes ciclos das temporadas Gulbenkian, realizado em articulação com o Teatro Maria Matos . Em 2012-13, são sete as propostas, entre as quais se contam colaborações com Vasco Araújo/André e Teodósio, Anne Teresa de Keersmaeker e Sasha Waltz; óperas e o espetáculo Les Pendus, sobre a luta pela liberdade de expressão.ORQUESTRASFilarmónica de Berlim...sim, mas não só. Pois o programa contempla ainda outro gigante dos "mares orquestrais": a Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão, com Mariss Jansons (4 fevereiro). Vêm também a Sinf. Porto Casa da Música, a Orchestre des Champs-Elysées, a Juvenil Gustav Mahler (quatro concertos) e a Mahler Chamber Orchestra (com Mitsuko Uchida)MUSICAS DO MUNDOUm ministro a abrir a temporada do ciclo de world-music... Não é todos os dias! Falamos do cabo-verdiano Mário Lúcio, que vem cantar a criolização. Depois dele, são mais nove as propostas do ciclo, que se move do Mali a Angola, do Próximo Oriente à índia, passando por Ute Lemper, pela violinista Viktoria Mullova ou pelo histórico Paco Ibañez.Bernardo MarianoDiário de Notícias , 29 Maio 2012